saga de uma tímida/insegura/atrapalhada/parva cujo dom é sonhar

Sábado, 13 de Novembro de 2010

Õlá. Já estou melohor, recuperei alguma alegria, passei muito tempo sem dar uma boa gargalhada lol. Mas enfim, o apetite também vai voltando, não foi preciso a magnesona ;) também já tomei nuno mas não por causa do apetite, foi mesmo pra repor umas coisitas que me estavam a faltar mas de qualquer maneira tenho por aqui vitaminas embora não ande a tomar. Não sei o que contei já do desenvolvimento das coisas com o T.. Ele ficou mal por falar comigo, não me consegue esquecer e por isso não nos estamos a falar outra vez. Não quero que me fique com raiva por não querer estar com ele como ele quer estar comigo mas axo que ele sente essa raiva e tenho um bocado de medo do que ele possa dizer de mim ou sei lá, enfim, tenho receio dessa raiva. É estupido mas é verdade. Bom as notas tão péssimas, não consigo estudar. Agora já estou melhor pode ser que consiga estudar um bocado e ter umas notas mais apresentáveis. Para além disso não há grande coisa a contar. Fiquei um bocado mais aliviada nessa questão do T. por motivos um bocadinho parvos. Mas a verdade é que ele começou a mostrar um lado dele que me irritava e se calhar eu tinha esquecudo. Ele começou a levar as coisas para um lado como se eu estivesse a precisar imensamente de ajuda e precisasse imensamente dele. Eu estive mal mas também não lhe pus as coisas exactamente como elas estavam e muito menos disse que era por causa dele unicamente que estava assim. Foi uma sucessão de coisas que me deixaram a pensar. Eu sinto falta da amizade mas a maneira como ele pos as coisas. Ele falou com a minha mãe e tudo e depois quando decidimos deixar de nos falar outra vez ele disse à minha mãe que afinal não ia poder ajudar como tinha prometido. E a minha mãe ficou um bocado surpresa porque não lhe tinha pedido nada nem a situação se punha dessa maneira. Enfim, ele é um bocadinho assim e na altura era uma das coisas que me punham assim um bocado de pé atrás. E como eu estava muito embaixo com as coisas que me foram passando pela cabeça, com o stress dos testes etc etc, fizeram-me esquecer um bocadinho essas partes e quando senti só aquela parte da amizade fiquei a sentir que afinal eu precisava daquilo. Mas na realidade nem ele está bem já em relação a termos acabado, nem as coisas são assim tão simples e há coisas nele que foram o motivo para eu perder a razão para estar com ele (não que esteja a culpa-lo, simplesmente são as razões pelas quais eu não sentia aquele encantamento.... outra pessoa achará bom). Bom mas foi bom para eu repor as ideias, lembrar-me das coisas como elas são. E já não estou com aquela sensação tão intensa de ser menor que os outros em relação à vida social (por assim dizer). Sinto-me um patinho fora de água às vezes, ainda, mas tenho saido, tenho falado, não sei que mais posso querer neste momento, não há grande coisa que possa fazer. Mas continuo a ter uma sensão que é a de desperdicio, a de estar a desperdiçar tempo, de não estar a aproveitar enfim. Agora até a viagem de carro pra casa parece chata a certo ponto, parece que é tanto tempo em que podia estar a fazer qualquer coisa de util, quando na realidade é menos de uma hora e além disso eu gosto de conduzir mas pronto. Logo devo sair, tomar café. Tenho que estudar, tenho praí dois testes pra semana, espero ter coragem e animo para isso. Fiquem bem vocês por aí.

See ya

escrito por sonhadoraincuravel às 16:50
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Quarta-feira, 29 de Setembro de 2010

"A timidez não é uma doença com sansão OMS e DSM.IV. Mas creio que devia constar nesses sisudos catálogos. E rapidamente. Mesmo quem, como eu, possui uma vasta colecção de enfermidades materiais e mentais, sabe que há pouquissimas coisas que me perturbem tanto como a timidez. Pouquissimas características me marcaram de modo tão decisivo e me arrastaram tão arrastado pelas ruas da amargura. E isso é dizer muito.

Desde que me lembro de mim que a timidez é o meu obstaculo numero um. Um entrave que atravanca o mundo. Uma vez, na escola primária, uma professora mandou-me pedir não sei o quê a um continuo. Não me recordo dessa incumbência, mas tenho a certeza que não cumpri. Fui saindo a medo, vagueei pelos corredores, fiquei santado nas escadas, talvez até me tenha escondido atrás de uma porta. Demorei uma eternidade, enrodilhado na minha incapacidade de ir ter com o continuo e de lhe dar um simples recado. Longuíssimos minutos depois, regressei à sala e disse obviamente, que não encontrava o continuo em lado nenhum.

Ora isto é uma doença, tão doença como uma gastrite. Ou, se quiserem, uma condição permanente, como sofrer de sinusite. neste episódio eu era uma criança, mas em todas as épocas me lembro de casos assim. Se pudesse, evitava entrar em contacto com uma pessoa desconhecida ou pouco conhecida. Subi e desci avenidas erradas (mesmo em território estrangeiro) apenas para não ter que pedir uma indicação. Comprei o que não queria em supermercados porque não perguntei onde estava o que procurava. Deixei de almoçar vezes sem conta só para não encetar um temível dialogo com a empregada. Sempre que me põem à frente um ignoto concidadão, eu embatuco.. Não comunico, olho para os ladrilhos, perco o pio, faço astuciosos Ulisses o possivel para não termos de entrar em concílio.

Um dos problemas maiores da timidez é que por vezes parece aos outros um defeito de carácter. O tímido é um menino da mamã (tese proustiana). ou então um arrogante, que detesta toda a gente e se enclausura na sua carapaça. Ora, creio que em geral o tímido sofre com a sua timidez, e tem vontade de contacto como toda a gente. reparem: eu sou, e gosto de ser, uma pessoa discreta e reservada. Não cultivo a menor ambição de acordar no proximo sabado festivo como um jamaicano. Estou muito satisfeito com a circunspecção, e introspecção e outras colicas do espirito. mas não desgostava de cumprimentar as pessoas sempre que entro nalguma sala (em vez de observar a carpete gasta). como não me desprazia uma cavaqueira com um colega de viagem ou com alguém que ficasse sentado ao meu lado num repasto (em vez de me refugiar nos classificados da Arrentela ou no cardápio de peixes grelhados). Eu sou aquele típico pateta que numa festa esgancha contra uma coluna, de copo alto meio vazio, olhando para toda a gente como se fossem fantasmas translucidos. E é melhor nem entrar no capítulo «sexo oposto» (mais conhecido como «o oposto de sexo»). Dos quinze anos aos trinta e dois, a minha timidez é quem mais ordena. E ordena sempre que me mantenha quieto e calado. Que não manifeste interesse ou intenção. Nem que a moça se pareça com a Cameton Diaz, tenha sido deixada pelo namorado ha dez minutos e use um cartaz fosforescente em que pede conforto masculino.

Por essas e por outras é que acho que a timidez é uma doença. Por causa da timidez não fazemos imensas coisas. E nós morremos de remorsos pelo que fizemos mas sobretudo com remorsos por tudo o que deixamos passar. É um comboio que se põe em andamento e acaba com o momento propício (procurem o poema de Thomas Hardy Faintheart in a Railway Train). A timidez acaba connosco. Com uma enganadora gentileza. Os ingleses costumam dizer que uma pessoa é «dolorosamente tímida» (painfully shy). E dizem bem, porque se trata de um sofrimento oculto mas realissimo. Um tímido fica preso a si mesmo, não se mexe, é um invisivel que se vê. E que sofre por querer o contrário do que motra (que é nada).

Era por isso altura de OMS e DSM-IV declararem a timidez uma doença. Em vez de «ansiedade social» ou outros eufemismos, digam simplesmente «timidez». Para que alguém nos acuda. Pela minha parte, não peço mordomias. Basta uma comparticipação nas pastilhas."

Pedro mexia

E eu não poderia dizer melhor, é exactamente o que se passa com um timido como eu e, aparentemente o autor do texto.

See ya

escrito por sonhadoraincuravel às 17:43
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Segunda-feira, 24 de Maio de 2010

tenho escrito pouco no blog mas é porque simplesmente não tenho sentido essa necessidade como antes sentia quando estava mais em baixo. a verdade é que este blog é muito pra isso, para escrever as coisas que me passam pela cabeça e le-las para tomar uma noção diferente. Mas tenho feito coisas que me têm distraido, tenho tido testes, tenho saído, voltei a passar noite fora fui a praia com amigos, ri-me imenso, também me senti um bocadinho triste a certa altura mas não quero dar grande importância a isso. Tenho-me distraido e é por isso que tenho vindo menos cá. Amanhã não devo ir a aulas porque ja fiz os testes então axo que vou aproveitar pra estudar pro teste de quarta. Uma disciplina ja ta feita, tava com medo mas consegui. Tenho muitos exames mas nem sei quando são e que escolhas vou fazer. Quando saí com amigos reparei num casal que sai connosco de quem gosto muito que ja têm as vidas meio estabilizadas, empregos certos e casas e vão vivendo juntos. Eu adoro a minha vida e viver com os meus pais, sem duvida nenhuma. Mas axo giro ve-los a viver assim têm uma segurança de terem aquilo que é deles, comprarem as coisas com o dinheiro deles, orgulharem-se daquelas coisas enfim não sei explicar mas axo gira a relação deles. Mas tenho pensado que apesar de sentir a falta de ter um namorado como toda a gente sente falta, tenho a sensação que não ha ninguém que conheça que podesse ocupar essa posição. É como se não houvesse ninguém que valesse a pena, mesmo que eventualmente me entusiasme por alguém, é mesmo isso, entusiasmo, mas depois axo que a pessoa não é a ideal por este ou aquele motivo. Não me vejo com ninguém, axo que é isso. Não sei se é por ter tido uma relação qu não foi aquilo que eu queria ou esperava e agora estar à espera de uma pessoa ideal ou se é o facto de só ter tido uma relação, e não tendo sido o que eu queria, o que quero é desconhecido então isso dá-me uma insegurança. Enfim se calhar não tem jeito nenhum tar a pensar nisso uma vez que as coisas inda nem surgiram nem se imposeram, mas tenho pensado nisso e sinto às vezes falta de estar apaixonada e outras axo que estar assim evita certos problemas que ja tive e tanto me custaram a passar e mesmo ansiedades que estou a tentar relaxar. Bom eu a pensar que nao ia ter muito que falar e ja escrevi muito. Aproveitem o solinho.

See ya

escrito por sonhadoraincuravel às 02:50
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